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CTA/SAE e a luta para conter o HIV/Aids: As variações entre a dispensação da PEP e PrEP

20/01/21 - 16:22:49 (Administrador)
Alterado em: 20/01/21 às 16:24:26 por Administrador

O Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA/SAE) do Consórcio Intermunicipal de Saúde Costa Oeste do Paraná (Ciscopar) é base no atendimento de pacientes com infecção pelo HIV/Aids, hepatites virais e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST´s). A dispensação da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e da Profilaxia Pós- -Exposição (PEP) também compõe a gama de atendimentos e serviços prestados à população dos 18 municípios da 20ª Regional de Saúde. “É importante salientar que ambas – PEP e PrEP - fazem parte da prevenção combinada, a qual tem por objetivo a estratégia do uso simultâneo de diferentes abordagens de prevenção (biomédica, comportamental e estrutural), aplicadas em múltiplos níveis (individual, nas parcerias/relacionamentos, comunitário, social), para responder às necessidades específicas dos determinados segmentos populacionais e variadas formas de transmissão das IST´s, salienta a coordenadora do CTA/SAE, Jéssica Sartor. Conhecida como ‘Mandala da Prevenção’ essa estratégia associa diferentes métodos de prevenção ao HIV, as IST’s e as hepatites virais (ao mesmo tempo ou em sequência), conforme as características e o momento de vida de cada paciente. Entre os métodos que podem ser combinados, Jéssica cita a testagem rápida, que pode ser realizada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS); a prevenção da transmissão vertical (quando o vírus é transmitido para o bebê, durante a gravidez); o tratamento das IST’s e das hepatites virais; a imunização para as hepatites A e B; programas de redução de danos para usuários de álcool e outras substâncias; o tratamento de pessoas que já vivem com HIV e as profilaxias pré e pós-exposição. EM TRATAMENTO – “Temos registros de atendimento de PEP desde 2011. Desde aquela data até o início deste ano, 473 pacientes tiveram acesso ao serviço. Se contabilizarmos apenas 2019 e 2020 foram realizados 171 atendimentos em PEP. A oferta da PrEP é mais recente. O CTA/SAE de Toledo foi habilitado a oferecer o serviço em julho de 2019, após capacitação e treinamento de equipe, realizados em Curitiba. Desde o início da oferta, já foram cadastrados 61 usuários, sendo que, atualmente, 19 pessoas estão em uso da PrEp”, apresenta.



DIFERENÇA DE PEP E PrEP

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), é um método de prevenção específico para o HIV. Essa nova forma de prevenção ao contágio do vírus consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o causador da Aids infecte o organismo, antes de a pessoa ter contato com o vírus. A PrEP é indicada para pessoas que tenham maior chance de entrar em contato com o HIV. Já a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é o método preventivo usado de modo emergencial, logo após a exposição, que fará a prevenção do contágio pelo HIV, das hepatites virais e das IST´s, e deve ser usado após a exposição a esses micro-organismos, seja por acidente com material biológico, por exposição sexual consentida ou ainda por exposição sexual decorrente de violência sexual. “Neste método de prevenção, para além da medicação antirretroviral de profilaxia para o HIV, a imunização e acompanhamento sorológico também são medidas de prevenção. Para fazer uso da PEP, o paciente deve procurar o serviço de saúde o quanto antes, considerando que algumas profilaxias possuem maior eficácia nas primeiras duas horas após a exposição”, explica a coordenadora



AVANÇO NA PREVENÇÃO

A PEP permite prevenir várias doenças, algumas passíveis de tratamento e cura e outras que são crônicas. A PrEP, por sua vez, também permite aos serviços de saúde alcançar ‘populações-chave’, diminuindo os novos diagnósticos de HIV/Aids. Jéssica pontua que é um grande avanço na saúde pública o Sistema Único de Saúde (SUS) dispor desses métodos de prevenção. “A PEP e a PrEP representam grande avanço, quanto à prevenção. Quando pensamos quem são os usuários do SUS, deparamo-nos com a riqueza imensa da diversidade, cada pessoa com sua individualidade, forma de viver e de entender a própria saúde. Tendo em vista essa mesma diversidade, sair do modelo básico de prevenção (preservativo masculino, preservativo feminino, gel lubrificante, teste rápido, imunização) é de extrema importância, a fim de que o serviço alcance a população de modo mais consciente, abrangente e, consequentemente, com outras possibilidades do cuidado de si. Isto é especialmente relevante para aquela parcela da população que com maior frequência se expõe a IST’s”, esclarece Jéssica



QUANDO PODEM SER USADAS

A PEP é considerada uma urgência para a pessoa que sofreu exposição (por acidente de trabalho, relação sexual ou violência sexual), deve ser atendida de imediato ao procurar o serviço de saúde, já que algumas profilaxias possuem prazo máximo de início, como por exemplo, a PEP de HIV, que deve ser iniciada em até 72 horas após a exposição, sendo preferencialmente nas duas primeiras horas. O período de acompanhamento depende da exposição sofrida que será avaliado em consulta. A PrEP não é indicada para todos. A coordenadora explica que o profissional de saúde capacitado, que fará o acolhimento, irá verificar se a pessoa se enquadra nos critérios para uso. “Podemos dizer, de modo breve, que a PrEP é indicada para pessoas que tenham maior chance de entrar em contato com o HIV. As ‘populações-chave’ são indicadas pelo Ministério da Saúde. Quem tem dúvida se pode ou não fazer uso deve entrar em contato com o CTA/SAE”. Segundo Jéssica, a PrEP consiste no uso de medicação antirretroviral (um comprimido ao dia) durante o período em que a pessoa se encontre sob risco de contato com o HIV. O acompanhamento acontece no serviço de referência, com consultas médicas, de enfermagem e dispensa da medicação.



CONSCIENTIZAÇÃO X EXPOSIÇÃO

O paciente que fizer uso da PrEP também estará vinculado ao serviço de saúde, devido a necessidade do acompanhamento regular para continuar o uso da profilaxia. Essa conduta é importante, pois possibilita o diagnóstico e tratamento precoce de qualquer outra IST’s que venha a surgir durante o uso da profilaxia pré-exposição. “É importante chamar a atenção para o seguinte: a PrEP é um método de prevenção exclusivamente do HIV/Aids, porém a camisinha (preservativo) é a forma mais completa de prevenção para todas as demais infecções, como as hepatites virais, sífilis, gonorreia, herpes e outras IST´s. Pensando na população mais vulnerável ao HIV e ainda considerando aquela parcela da população que não se adapta ou não adere ao preservativo, a PrEP é uma ferramenta muito importante para a prevenção do vírus”, alerta a profissional. A coordenadora enfatiza que os primeiros casos de HIV/Aids surgiram no Brasil na década de 80 e desde então a medicina tem avançado e permitido dar qualidade de vida para quem contraiu o vírus. Contudo, a doença ainda é cercada de tabus e não tem cura. “Levando em consideração todos os avanços até aqui conquistados e mesmo em um contexto atual de enfrentamento a pandemia pela Covid-19, é essencial mantermos o nosso olhar atento para as doenças que estão presentes na sociedade faz muito tempo, como o HIV/ Aids. Depois de quatro décadas dos primeiros casos registrados no Brasil, o HIV ainda é assombrado pelo estigma e preconceito. Considerar questões de gênero, diversidade sexual e redução de danos são pontos centrais para ir contra essa problemática tão presente na sociedade e favorecer a prevenção ao HIV em todas as políticas públicas”, conclui.



Fonte: Jornal do Oeste

Créditos: Janaí Vieira / Jornal do Oeste



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